A beleza do tempo

Curioso como a beleza física é algo temporário, com data de validade, mas mesmo assim tem enorme importância para todos, inclusive aqueles que teimam em negar, mas passam horas e horas embelezando-se para o nada.

Não que seja desperdício admirar uma pessoa pela beleza, mas, como já dito, é algo temporário, com uma volatilidade alta: hoje é belo, e amanhã? É impossível lutar contra o tempo, e o filho da mãe causa um estrago absurdo na beleza física.

Até os mais belos sabem, ou deveriam saber, que é temporário. O tempo vai caminhando irretratavelmente e a encanto físico fica nas lembranças, nas fotos: eu ERA lindo…

Abro parênteses para uma das coisas que mais admiro e considero, de certo modo, uma exceção: os olhos. Curiosamente seus olhos não mudarão, são imunes ao tempo; o olhar, provavelmente sim, mudará com novas experiências, mas não os olhos, estes são humanamente eternos.

Mas e a dita beleza interior? Soa clichê… Quando ouço algo do tipo imagino um corpo dissecado, os órgãos expostos, não é algo tão belo assim, a não ser para algum admirador da medicina, ou só alguém com gostos peculiares, enfim. Não sei qual outro termo usar, beleza do ser? Me refiro a forma de falar, a inteligência, o olhar, as besteiras que fala, o sorriso, os gostos, o tom da voz, alguma expressão que usa, o cheiro. São infinitas possibilidades, muitas também vencíveis pelo tempo, mas que estão além da beleza palpável, algo que você não consegue registrar numa simples foto. Aqui o tempo também incide, mas há grande possibilidade de trazer uma melhora, são tipos diferentes de bebidas: uma cerveja e um vinho. A primeira não lida muito bem com o tempo, a segunda abraça o tempo e pode, em certas condições, ser apurada. Acredito que assim sejam a beleza física e a beleza espiritual, a do ser que vive e do que apenas existe.