A inteligência virou galo: quando os soldados do silêncio aprendem a cantar

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Entre o sigilo e os holofotes, a atividade de inteligência parece ter descoberto uma nova missão: aparecer. O problema é que quem nasceu para enxergar na escuridão não deveria disputar espaço com quem acorda a vizinhança.

A coruja é uma ave de rapina extraordinária. Enxerga onde outras aves pouco veem, identifica movimentos discretos, aproxima-se silenciosamente e age com precisão. Não precisa anunciar sua presença, tampouco explicar a cada animal da floresta como conseguiu identificar sua presa. Sua vantagem está justamente naquilo que os demais desconhecem sobre ela.

O galo é diferente. Acorda cedo, estufa o peito, sobe no poleiro e canta. Canta alto. Canta para todos. Não importa se há alguma utilidade nisso ou se alguém pediu sua manifestação. O importante é que a vizinhança saiba que ele está ali.

Ambos são aves. Mas definitivamente não desempenham a mesma função.

Curiosamente, parte da atividade de inteligência brasileira parece estar passando por uma surpreendente metamorfose ornitológica. A coruja, símbolo tradicional da inteligência, resolveu virar galo. E agora canta. Canta nas entrevistas, nos releases institucionais, nas redes sociais e, principalmente, nas fotografias cuidadosamente produzidas para demonstrar o quanto determinada operação foi resultado de um brilhante trabalho de inteligência.

Durante décadas, o profissional de inteligência foi preparado para preservar sua identidade, proteger suas fontes, compartimentar conhecimentos e reduzir sua exposição. Agora, aparentemente, precisa aprender também técnicas de comunicação, escolher um bom enquadramento e, quem sabe, encontrar seu melhor ângulo para a fotografia oficial. Não seria surpreendente se, em breve, a doutrina passasse a recomendar um curso de oratória para galos infiltrados.

Quando a inteligência deixou de ser meio e virou troféu

Nos últimos anos, especialmente a partir de 2022, percebe-se uma crescente popularização do termo inteligência nos discursos institucionais, na divulgação de operações e na própria formação dos profissionais de segurança pública. Não é necessário recorrer a uma pesquisa estatística para perceber a mudança no vocabulário das instituições. Basta observar a maneira como os resultados passaram a ser apresentados.

Praticamente tudo agora é resultado de inteligência.

Uma prisão? Inteligência.

Uma apreensão? Inteligência.

Um veículo recuperado? Inteligência.

Uma abordagem bem-sucedida? Certamente, inteligência.

Daqui a pouco, se um policial encontrar uma motocicleta roubada estacionada em frente à delegacia, haverá alguém disposto a atribuir o feito ao extraordinário trabalho de análise estratégica de alguma agência.

O problema não é reconhecer a participação da inteligência. O problema é transformar uma atividade especializada de assessoramento em uma espécie de selo de qualidade para qualquer resultado operacional.

Afinal, quantas operações acontecem sem logística? Sem planejamento? Sem treinamento? Sem comunicações? Sem recursos humanos? Uma operação policial bem-sucedida é resultado da conjugação de inúmeros esforços. A inteligência pode exercer papel determinante, assim como a logística, o planejamento e a atuação das equipes operacionais.

Entretanto, ninguém costuma convocar uma coletiva para anunciar que determinada prisão só foi possível graças ao excepcional desempenho do setor de almoxarifado, que providenciou combustível, munição e equipamentos. Também não se costuma destacar que a viatura chegou ao destino graças ao trabalho silencioso de um mecânico. Evidentemente, seria ridículo.

Mas retirar uma atividade de apoio do seu contexto, atribuir-lhe protagonismo absoluto e transformá-la em objeto de ostentação parece perfeitamente aceitável quando essa atividade recebe o nome de inteligência.

É como um time de futebol que, após vencer uma partida, atribui a vitória exclusivamente ao departamento de análise de desempenho. Os analistas podem ter identificado as fragilidades do adversário, mas não entraram em campo, não marcaram os gols e tampouco defenderam os pênaltis.

Inteligência não é protagonista por natureza. É instrumento para que a decisão e a ação sejam melhores.

Confundir essas funções representa mais do que um equívoco conceitual. É um desvio de finalidade que pode comprometer o próprio funcionamento do sistema.

Inteligência não existe para receber aplausos

Sherman Kent, um dos principais responsáveis pela sistematização moderna da atividade de inteligência, apresentou sua conhecida concepção trina: inteligência como conhecimento, organização e atividade. Kent estabelece as bases de uma atividade voltada à produção de conhecimentos úteis ao processo decisório. Não se trata de simplesmente acumular informações, muito menos de transformá-las em propaganda institucional.

No Brasil, a Política Nacional de Inteligência, aprovada pelo Decreto nº 8.793/2016, define a atividade como o exercício permanente de ações especializadas destinadas à produção e difusão de conhecimentos para assessoramento das autoridades governamentais.

Observe a palavra: assessoramento.

Não é estrelato. Não é protagonismo operacional. Não é competição por reconhecimento público. É assessoramento.

A inteligência existe para reduzir incertezas, antecipar ameaças, identificar oportunidades e proporcionar melhores condições para que a autoridade competente decida.

Uma agência pode trabalhar durante meses, produzir conhecimentos extraordinários e evitar uma crise sem que a sociedade jamais saiba de sua participação específica. Isso não diminui seu mérito. Pelo contrário. Talvez represente uma das manifestações mais autênticas de sua eficiência.

Uma boa inteligência pode impedir que um problema se concretize. E, quando isso acontece, é perfeitamente possível que não exista apreensão para fotografar, suspeito para apresentar ou operação para batizar.

Como ostentar aquilo que não aconteceu?

Eis um dos grandes paradoxos da atividade: alguns dos seus maiores resultados são justamente aqueles que não produzem espetáculo.

Mas, em tempos de métricas de engajamento e disputas por visibilidade institucional, evitar uma tragédia parece render menos prestígio do que aparecer depois dela. Talvez por isso seja tão tentador trocar a prevenção silenciosa pela participação ostensiva.

A publicidade não é a mesma coisa que a exposição

Antes que alguém confunda discrição com ausência de controle, convém esclarecer uma questão fundamental: a atividade de inteligência não está acima da lei.

A Constituição Federal, no artigo 37, estabelece os princípios da legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade e eficiência, tradicionalmente sintetizados pela sigla LIMPE. Toda a Administração Pública está sujeita a esses princípios. Não existe autorização constitucional para que profissionais de inteligência atuem como proprietários particulares de informações, afastados dos mecanismos legítimos de fiscalização.

Entretanto, o princípio da publicidade não se confunde com a obrigação de transformar procedimentos sensíveis em conteúdo para redes sociais.

A Lei nº 12.527/2011, conhecida como Lei de Acesso à Informação, reconhece expressamente, em seu artigo 23, inciso VIII, a possibilidade de classificação de informações cuja divulgação possa comprometer atividades de inteligência, bem como investigações e fiscalizações em andamento.

Mais interessante ainda é o artigo 9º da Lei nº 9.883/1999, que prevê a publicação em extrato dos atos da ABIN cuja publicidade integral possa comprometer o êxito de atividades sigilosas.

Ou seja, o próprio legislador reconheceu que existem situações nas quais a divulgação irrestrita prejudica a finalidade da atividade.

É importante ressaltar que essas disposições não instituem sigilo automático sobre tudo o que uma agência produz, tampouco afastam a fiscalização por autoridades competentes. O sigilo deve possuir fundamento jurídico, finalidade legítima e observar os limites legais. Mas há uma diferença abissal entre prestar contas ao Estado e prestar contas à curiosidade pública.

Controle é obrigação. Exposição voluntária é escolha. E nem toda escolha é inteligente.

A sociedade precisa saber se suas instituições atuam corretamente, se os recursos públicos são empregados de maneira adequada e se os direitos fundamentais são respeitados. Não precisa necessariamente conhecer a identidade dos agentes, os meios empregados, a origem de conhecimentos sensíveis ou os detalhes de procedimentos que possam comprometer operações futuras. A publicidade institucional tem limites. A vaidade, infelizmente, nem sempre.

Quanto mais aparece, mais precisa explicar

Existe uma consequência frequentemente ignorada por aqueles que transformam a atividade de inteligência em instrumento publicitário: a exposição cria expectativas, desperta curiosidades e amplia as oportunidades de contestação.

Quanto mais uma agência anuncia sua participação, mais convida terceiros a questionarem como ela participou.

Quem produziu o conhecimento? Quais recursos foram empregados? Qual foi a contribuição efetiva? Quais procedimentos foram adotados? Quais informações justificaram determinada decisão?

Perguntas absolutamente legítimas, especialmente quando formuladas por autoridades competentes. O problema é que, muitas vezes, a necessidade de responder a essas perguntas não nasceu de uma exigência legal ou de um procedimento de fiscalização. Nasceu da decisão espontânea de aparecer.

É como um mágico que, após executar um truque, sobe ao palco e anuncia que possui um segredo extraordinário. Naturalmente, todos desejam conhecê-lo. O mágico poderia simplesmente ter apresentado o espetáculo e ido embora. Mas preferiu provocar a plateia.

Na atividade de inteligência, a situação é ainda mais delicada. O público não é formado exclusivamente por cidadãos curiosos, jornalistas e pesquisadores. Entre os espectadores também existem organizações criminosas, adversários, indivíduos interessados em identificar capacidades institucionais e pessoas dispostas a explorar qualquer vulnerabilidade.

Toda divulgação desnecessária oferece uma oportunidade adicional de observação.

Uma fotografia aparentemente inocente pode revelar vínculos profissionais. Uma entrevista pode indicar determinada capacidade operacional. A repetição de informações pode permitir que terceiros identifiquem padrões de atuação.

Informações isoladas, aparentemente irrelevantes, podem adquirir significado quando analisadas conjuntamente.

Não deixa de ser irônico: a mesma instituição que utiliza a análise de dados para identificar padrões criminosos frequentemente desconsidera que seus adversários também podem analisar dados.

A inteligência que observa também é observada.

E, enquanto o galo canta para mostrar que está acordado, alguém pode estar estudando seus hábitos, seus horários e seus movimentos.

Os soldados do silêncio descobriram o marketing pessoal

A atividade de inteligência exige um perfil profissional peculiar. Não basta dominar metodologias, operar sistemas, produzir relatórios ou conhecer técnicas especializadas. É necessário possuir atributos comportamentais compatíveis com a natureza da função.

Discrição, equilíbrio emocional, capacidade analítica, prudência e desapego ao reconhecimento individual não são virtudes decorativas. São condições que favorecem a segurança e a qualidade do trabalho.

O profissional de inteligência precisa compreender que nem todo mérito será público, nem todo resultado produzirá reconhecimento e nem toda contribuição será acompanhada de agradecimentos. Quem não suporta essa realidade talvez esteja buscando a função errada.

E não há absolutamente nada de errado em desejar reconhecimento profissional. O equívoco está em escolher uma atividade cuja eficiência frequentemente depende da discrição e, depois, reclamar da ausência de holofotes. É como ingressar em um mosteiro e exigir uma escola de samba na porta.

O anonimato funcional, quando necessário, não é castigo. É proteção. A Política Nacional de Inteligência reconhece expressamente, no item 2.4, a necessidade de preservar a ação, os métodos, os processos, os profissionais e as fontes da atividade. Esse entendimento não surgiu por capricho. Decorre da própria natureza do trabalho.

Quem depende de informações sensíveis não pode tratar a exposição como um benefício irrestrito. Quem precisa preservar fontes não deveria banalizar sua própria identificação. Quem trabalha com contrainteligência deveria ser o primeiro a compreender o valor de reduzir vulnerabilidades.

Mas parece que desenvolvemos uma figura profissional curiosa: o agente secreto que deseja ser conhecido.

Quer preservar sua identidade, mas gosta de fotografias. Defende a compartimentação, mas compartilha a própria atuação. Exige sigilo dos documentos, mas deseja publicidade dos resultados individuais.

É o soldado do silêncio com vocação para apresentador de auditório.

E o mais preocupante é que essa contradição não representa apenas uma questão de personalidade. Quando incentivada institucionalmente, pode transformar a vaidade em critério informal de valorização profissional. O agente discreto passa a ser invisível também para o reconhecimento interno, enquanto aquele que aparece constantemente parece produzir mais.

A consequência é previsível: troca-se a excelência silenciosa pela performance publicitária. Quando aparecer passa a valer mais do que produzir, a instituição começa a selecionar seus profissionais pelo critério errado.

O perigo de transformar inteligência em propaganda

Outro problema surge quando a atividade de inteligência deixa de ser instrumento de assessoramento e passa a servir à construção de narrativas institucionais. A inteligência deve trabalhar com a realidade, inclusive quando essa realidade contraria expectativas, interesses e discursos de seus superiores.

Sua responsabilidade é produzir conhecimento, não confirmar preferências.

Sherman Kent defendia o rigor intelectual, a objetividade analítica e a independência necessária para que os conhecimentos produzidos fossem úteis aos tomadores de decisão. A tradição analítica associada a Kent valoriza, inclusive, o reconhecimento das próprias limitações e a consideração de opiniões divergentes.

Entretanto, quando o reconhecimento institucional depende da participação em operações de grande repercussão, surge um incentivo perigoso: produzir aquilo que aparece, em vez de produzir aquilo que importa.

A ameaça silenciosa pode perder espaço para a ocorrência de repercussão imediata. A análise estratégica pode ser substituída pela busca incessante de informações que proporcionem uma nova apreensão. A prevenção, que raramente oferece fotografias, pode acabar preterida pela repressão, que entrega imagens prontas para publicação.

Não se trata de desmerecer a atuação operacional, absolutamente necessária à segurança pública. Trata-se de compreender que uma agência de inteligência não deveria medir sua eficiência exclusivamente pelo número de operações policiais às quais conseguiu associar seu nome.

Se esse fosse o objetivo, talvez fosse mais econômico extinguir a agência e contratar uma assessoria de imprensa. Afinal, a segunda provavelmente produziria resultados melhores em engajamento, curtidas e compartilhamentos.

Ocorre que a segurança pública não deveria funcionar como uma disputa de popularidade. A inteligência precisa ter liberdade técnica para informar que determinada operação não é recomendável, que uma hipótese não encontra sustentação ou que os dados disponíveis são insuficientes.

Precisa, sobretudo, ter coragem de contrariar o comandante quando o conhecimento produzido assim exigir.

Uma agência preocupada em agradar, aparecer e justificar sua existência por resultados midiáticos corre o risco de abandonar a imparcialidade analítica. Quando a inteligência começa a produzir para o aplauso, deixa de assessorar a decisão e passa a assessorar a vaidade.

O silêncio não é omissão, nem o sigilo é propriedade privada

Há, entretanto, um cuidado necessário. Seria igualmente equivocado defender que a inteligência deva desaparecer completamente do conhecimento público. Uma atividade desconhecida, incompreendida e desprovida de legitimidade social também enfrenta dificuldades para cumprir sua missão.

O conhecimento acadêmico, a divulgação de doutrinas, a formação profissional e o debate público sobre os limites legais da inteligência são importantes para seu amadurecimento institucional. Inclusive, a própria Política Nacional de Inteligência prevê, entre seus objetivos, a conscientização da sociedade para o aprimoramento permanente da atividade.

O problema, portanto, não está em discutir inteligência publicamente. Está em confundir a divulgação da atividade enquanto instituição com a exposição de sua atuação sensível.

Uma coisa é explicar à sociedade o que faz uma agência, quais são suas atribuições legais, quais controles a fiscalizam e quais resultados institucionais podem ser demonstrados. Outra, completamente diferente, é expor indiscriminadamente os agentes, as capacidades, os procedimentos e a participação específica em operações apenas para disputar prestígio.

Também não se pode utilizar o sigilo como escudo para ilegalidades, abusos ou omissões. O segredo não transforma o ilícito em lícito. É importante repetir, sobretudo para aqueles que confundem discrição com impunidade: os soldados do silêncio continuam sendo servidores públicos. Devem respeitar a Constituição, submeter-se aos controles institucionais e responder por seus atos.

O que não precisam fazer é transformar cada contribuição profissional em espetáculo. O Estado precisa conhecer e controlar sua inteligência. O adversário não precisa receber uma apresentação em PowerPoint sobre como ela funciona.

A coruja não precisa aprender a cantar

Talvez seja necessário recuperar uma ideia elementar, aparentemente esquecida em meio à popularização da palavra inteligência. A atividade de inteligência existe para produzir conhecimento útil, proteger informações sensíveis e assessorar decisões. Não existe para distribuir medalhas imaginárias, disputar créditos operacionais ou alimentar a necessidade de reconhecimento pessoal de seus integrantes.

Uma operação bem-sucedida deve ser apresentada à sociedade pelos resultados legítimos que produziu. Quando for adequado reconhecer a contribuição da inteligência, isso poderá ser feito institucionalmente, sem transformar seus meios e profissionais em objetos de exposição desnecessária.

A inteligência deve ser valorizada, financiada, aperfeiçoada, controlada e reconhecida. Mas reconhecimento não exige exibicionismo. Há uma diferença enorme entre possuir prestígio institucional e viver em busca de publicidade. A primeira condição decorre da confiança construída pela qualidade do trabalho. A segunda frequentemente revela uma necessidade permanente de aprovação.

E uma instituição que precisa anunciar sua importância a cada oportunidade talvez devesse começar questionando por que essa importância ainda precisa ser constantemente anunciada.

A coruja não é admirada porque canta mais alto que as outras aves. É admirada porque enxerga, compreende o ambiente e age com precisão. Sua força não está na capacidade de chamar atenção, mas na vantagem de perceber aquilo que passa despercebido aos demais.

O galo, por outro lado, precisa anunciar sua existência. Sobe no poleiro, estufa o peito e desperta a vizinhança. Todos sabem onde ele está. Talvez seja exatamente essa a diferença que parte da atividade de inteligência tenha esquecido.

A coruja precisa conhecer o ambiente. O galo precisa ser conhecido por ele.

A inteligência que transforma o silêncio em espetáculo acaba oferecendo ao adversário aquilo que deveria proteger: a vantagem do desconhecimento.

Que os resultados apareçam. Que as instituições sejam fiscalizadas. Que a legalidade prevaleça. Mas que os soldados do silêncio compreendam, definitivamente, a natureza da missão que escolheram. Porque, na segurança pública, nem sempre aquele que aparece mais é o que mais contribui.

E, quando a coruja começa a cantar como galo, talvez já não seja a inteligência que esteja falando. Talvez seja apenas a vaidade fazendo barulho.

BRASIL. Constituição da República Federativa do Brasil de 1988. Art. 37.

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BRASIL. Lei nº 12.527, de 18 de novembro de 2011. Lei de Acesso à Informação.

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KENT, Sherman. Strategic Intelligence for American World Policy. Princeton: Princeton University Press, 1949.

ALVES, Ayslan. Sigilo e controle da Atividade de Inteligência. 2023.

ALVES, Ayslan. Agente Híbrido: solução inovadora ou caminho para a desprofissionalização da Atividade de Inteligência? 2025.

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