O problema é a falta de sensibilidade pra saber o que falar e, principalmente, quando falar

Perceba que seus comentários, durante a autocrítica alheia, um desabafo ou até mesmo uma auto-piada, são mais degustáveis, digamos assim. Neste momento você pode aconselhar de forma mais direta, há uma margem maior de permissão. Existe uma busca pela sua opinião e ela tende a ser, no mínimo, ouvida com respeito.

Em contraponto, fazer uma crítica, piada ou comentário, sem que isso seja buscado, é perigoso. O famoso “ninguém te perguntou nada” é a resposta mais educada que você sujeita-se a obter.

Se der sorte, vai pegar um ser mais ácido com as palavras, e é lindo como a resposta pode vim embrulhada numa fita dourada, mas é pior que chutar a quina do sofá com o dedo mindinho. Você se sente humilhado e ao mesmo maravilhado com a forma que o fdp utiliza para escrever, sendo sarcástico e irónico em níveis minimamente calculados.

Há ainda a resposta direta, que não surpreende, mas é válida em certos momentos. Uma ofensa curta e grossa tem seu valor. Não faz sentindo algum responder com ironia o flanelinha que riscou seu carro. A situação exige uma ação mais energética.

Abusando da analogia, no primeiro caso você está diante de uma pimenta: aparentemente inofensiva, vermelhinha, até brilhando, é preciso levar à boca para sentir seus reais efeitos. Uma resposta mais sarcástica age da mesma forma: a princípio não foi nada demais, somente após as entrelinhas, se o destinatário tiver tal sensibilidade, a ofensa será relevada. Já no segundo caso, você observa uma bomba e sabe que bombas naturalmente explodem. A ofensa direta não causa nenhuma surpresa, é rasa, é banal. Provavelmente levará você a um nível de mediocridade, nada admirável, exceto nos casos pontuais que ainda acredito serem válidas ou passíveis de relativização.

De todo modo, é tudo uma questão de sensibilidade.