O problema é a falta de sensibilidade pra saber o que falar e, principalmente, quando falar

Perceba que seus comentários, durante a autocrítica alheia, um desabafo ou até mesmo uma auto-piada, são mais degustáveis, digamos assim. Neste momento você pode aconselhar de forma mais direta, há uma margem maior de permissão. Existe uma busca pela sua opinião e ela tende a ser, no mínimo, ouvida com respeito.

Em contraponto, fazer uma crítica, piada ou comentário, sem que isso seja buscado, é perigoso. O famoso “ninguém te perguntou nada” é a resposta mais educada que você sujeita-se a obter.

Se der sorte, vai pegar um ser mais ácido com as palavras, e é lindo como a resposta pode vim embrulhada numa fita dourada, mas é pior que chutar a quina do sofá com o dedo mindinho. Você se sente humilhado e ao mesmo maravilhado com a forma que o fdp utiliza para escrever, sendo sarcástico e irónico em níveis minimamente calculados.

Há ainda a resposta direta, que não surpreende, mas é válida em certos momentos. Uma ofensa curta e grossa tem seu valor. Não faz sentindo algum responder com ironia o flanelinha que riscou seu carro. A situação exige uma ação mais energética.

Abusando da analogia, no primeiro caso você está diante de uma pimenta: aparentemente inofensiva, vermelhinha, até brilhando, é preciso levar à boca para sentir seus reais efeitos. Uma resposta mais sarcástica age da mesma forma: a princípio não foi nada demais, somente após as entrelinhas, se o destinatário tiver tal sensibilidade, a ofensa será relevada. Já no segundo caso, você observa uma bomba e sabe que bombas naturalmente explodem. A ofensa direta não causa nenhuma surpresa, é rasa, é banal. Provavelmente levará você a um nível de mediocridade, nada admirável, exceto nos casos pontuais que ainda acredito serem válidas ou passíveis de relativização.

De todo modo, é tudo uma questão de sensibilidade.

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Ayslan Alves
Bacharel em Direito pela Universidade Tiradentes, Especialista em Direito Público, Especialista em Direito Constitucional Aplicado, Especialista em Direito Penal e Processual Penal e Pós-graduando em Tribunal do Júri e Execução Criminal. Atuante na área de Segurança Pública desde 2014, com diversos cursos pela SENASP (Análise Criminal, Crimes Cibernéticos, CIAI, COI, Gerenciamento de Crises, Identificação de Armas de Fogo, Investigação Criminal, Mediação de Conflitos, entre outros).