A certeza do fim entristece ou impulsiona você?

Nas incontáveis vezes que me pego ponderando sobre o desfecho da minha vida e como isso me levará ao vazio, sem reencarnação, sem paraíso eterno, sem um inferno agonizante, sem acerto de contas com alguma entidade divina, claro, respeitando todas as opiniões diversas, entro no dilema: desânimo ou corrida contra o tempo.

É como uma ida ao parque de diversões, momento no qual você invariavelmente sabe a hora que chegará ao fim, mas sem temor corre para aproveitar o máximo factível de todos os divertimentos disponíveis. Que desperdício seria se a indubitabilidade do fim reprimisse seu intento de aproveitar aquele limitado momento.

A ordem da vez é pensar unicamente no amanhã: no fim de semana, no dia que o salário entra na conta, em datas comemorativas, no dia do vencimento do boleto. O hoje está passando, como o relógio do parquinho, e ao invés de viver e aproveitar os minutos disponíveis nos “brinquedos” da vida, nós entramos numa corrida sem epílogo para alcançar o amanhã, certos da ideia de vida imorredoura, doloroso delírio que há muito foi entregue aos humanos.

Compreender o ciclo da vida e procurar viver presentemente é um desafio que esbarra em diversas impasses culturais, mas é plausível, diferente da vida eterna, pois no final da nossa breve história no mundo seremos reduzidos ao nada de onde viemos. Mas que isso não nos desencoraje, pelo contrário, que sirva de motivação, que nos impulsione para uma vida carregada de experiências, assim como a criança que desprende-se dos pais e parte para aproveitar cada segundo, despreocupada com a marcha imparável do ponteiro do relógio, mas certa que uma hora a brincadeira terá um fim.

Pobre humanidade frágil e gananciosa que não se conforma com a dádiva que é viver o presente. O futuro não nos pertence, nunca pertenceu. Nós vivemos o hoje, carregando a melancolia dos erros do passado e a esperança de um futuro melhor, mas ainda é apenas o hoje.

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