Não existe felicidade

Existe felicidade, contrariando o título, mas é algo tão abstrato que às vezes eu chego a pensar que não. É mais descomplicado imaginar que existe um estado de conforto que objetivamos. Buscamos sair de uma condição ruim ou atingir uma condição superior, conquistando, necessariamente, aquilo que não possuímos, material ou imaterial.

Tentemos responder de forma objetiva: o que é ser/estar feliz?

  • Para quem estava em coma, o simples despertar, por mais que permaneça acamado.
  • Para o investidor, a alta nas ações.
  • Para o tetraplégico, a sensação de sentir ou movimentar um dedo mindinho.
  • Para o desempregado, a possibilidade de emprego.
  • Para o processado criminalmente, a absolvição.

São exemplos que dificilmente estarão dentro do nosso conceito de felicidade, encaixando-se perfeitamente em algo mais agradável, mais confortável que a condição anterior.

A ideia de felicidade nos prende a um ciclo, partindo de um estado temporário de felicidade que se esvai em busca de outro tão volátil quanto o anterior. É ilusório tentar alcançar a felicidade, dado que sempre será algo além daquilo que temos hoje. A felicidade que sentimos não passa de uma sensação de conforto, e em alguns casos conformismo, idealizada pela nossa mente, dentro de padrões de nós mesmo criamos. Sim, é subjetivo, mas além disso é especulativo, por mais que a maioria tente converter em algo concreto.

Partindo dessa impalpabilidade da felicidade, resta-nos aceitar e tentar entender que por mais que nossa mente esteja preparada, esse estado de conforto relacionado aos bens e sentimentos passará. De todo modo, conformismo não é sinônimo de felicidade.